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Reflexões sobre Responsabilidade na Clínica Pós-Reichiana

17/9/2022

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O que é ser responsável para você? Existem dois modos de compreender a palavra. Uma é a partir da educação patriarcal: preocupe-se com o que você faz e o que se espera socialmente que você faça. Algo imposto, de fora para dentro. Um senso de responsabilidade externo e introjetado que aparece quando queremos corresponder à estas expectativas e nos comportarmos como um “bom menino ou uma “boa mãe”.
Neste caso, ser responsável é dar conta de suas tarefas, dos teus papeis, de tudo que você assume fazer, de cumprir teus acordos. Sem muito questionamento. Em Reich, por outro lado, tem-se uma visão mais preocupada com a qualidade dessa responsabilidade. Esses acordos que você fez, são bons ou ruins para você? Esse fardo da responsabilidade que você carrega, te adoece ou te proporciona satisfação?
​Responsabilidade, dentro do pensamento reichiano, caminha junto de maturidade afetiva. Trata do que você sente e que se manifesta no seu comportamento no mundo. Como o que você sente cria políticas nos espaços em que você atua?
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A "responsabilidade patriarcal” opera no oposto. Ela trata de uma comparação entre o que você faz e o que se espera socialmente que você faça. Se isso é correto ou não para teus julgamentos individuais ou para os julgamentos das pessoas. Quando começamos a observar o como afetamos as outras pessoas, o nosso meio - como o meu jeito de fazer, falar, mover-me, trabalhar, contatar, amar (todos os verbos de ação prática que posso realizar no mundo), afeta esse mundo, logo, podemos nos tornar responsável por isso tudo que fazemos. Qual é o lugar de responsabilidade que  temos em nossas relações? Eu posso sair do lugar dual de “culpar e culpar-me” para trilhar uma jornada dialética de saber onde eu sou responsável; e quando e como o outro é responsável.
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A terapia pós-reichiana nos permite, enquanto pacientes, entrar em contato com nossas emoções, sentimentos e sensações. Este contato facilita nos darmos conta dos modos que agimos e afetamos a sociedade – das pessoas mais íntimas às que nos são mais indiferentes, pelas inúmeras ações das nossas couraças. São as emoções que sentimos (ou não sentimos ou bloqueamos) que presidem nossos modos de funcionamento.
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Por ser política, a terapia preocupa-se com os modos com que a pessoa que busca atendimento se relaciona com as outras pessoas. A visão política da clínica tira do paciente o lugar de vítima, ou de sujeito passivo de uma história que sofreu, sem isentar os outros pelos danos que causaram. Embora acolhido enquanto pessoa única, é vista sempre em relação. A começar pela própria relação terapeuta-paciente.

O mecanismo inteligente da couraça pessoal, que é construído ao longo da vida em relação com a sociedade, começando pela família, afeta e atravessa todos os relacionamentos interpessoais. Este mecanismo, que tem como função primária a sobrevivência do organismo dentro de um meio que é simultaneamente para nós, humanos, ambiental e cultural, têm um padrão de funcionamento que vai sendo desvelado aos poucos na clínica. Quando um paciente aprende a reconhecer as defesas de sua couraça em ação, por meio da auto-observação, pode aos poucos, aprender a não se mover a partir delas. Pode desenvolver novos repertórios de expressão emocional e vivenciar seus relacionamentos com uma maior maturidade.
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As couraças podem efetuar “enganchamentos” entre as pessoas. Quando estamos tensos e reativos, temos um indicador de que estamos defensivos e agindo a partir da couraça. A couraça não só nos coloca em defesa e em guarda contra o outro, como também pode nos colocar em "aliança nefasta" com outras pessoas. Seja contra adversários em comum, ou para favorecer relações de poder, ou para proteger certo modo de existir que é conveniente. O modo encouraçado de viver aparece nas relações hierárquicas e não espontâneas. Estes enganchamentos, seja de qual forma acontecem, não são relações de entrega e troca com o outro. Por isso a clínica auxilia o paciente a perceber quando as emoções partem de sua couraça, ajudando-as a reconhecer estes enganchamentos em suas relações, para aprender a afrouxar estas amarras e a como não entrar mais nelas... ou a como não entrar de forma inconsciente e reativa, ao menos.

Com o andamento da terapia, o paciente pode perceber quando está contatando as pessoas de forma espontânea e prazerosa, ou quando está se defendendo do contato genuíno com elas de forma automática.


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Um grande diferencial da vegetoterapia caractero-analítica (uma forma mais técnica de nomear a terapia pós-reichiana) é que ela não se ocupa apenas com o modo em como somos afetados pelos outros. O movimento de análise se tornaria incompleto, uma vez que os organismos pulsam. Emitem, doam e recebem de volta. É importante reconhecer, aos poucos, sem pressa, o que emitimos para fora. Em outros termos, cabe na terapia a pergunta: "Como eu afeto o meio social?". Como meu mecanismo defensivo, minha couraça, atravessa e sabota minhas tentativas de contato prazeroso e entrega com o outro? 
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Como minha energia vital pode acabar sendo bloqueada em diversos segmentos físicos em mim e tornar-se sombra sobre meu ambiente? Como minhas neuroses e modos rígidos de funcionamento acabam sabotando não só a mim, mas minhas relações, de forma automática e inconsciente? E quanto ao meu masoquismo, narcisismo, insatisfação e a demanda por ser acolhido?

Todas estas questões, são políticas, nunca são concernentes apenas à um indivíduo, ao paciente. Elas envolvem a compreensão do que emitimos. A qualidade da emissão não é a mesma enquanto estou agindo automaticamente pela minha couraça. Essa emissão é de outra qualidade quando ajo espontaneamente. As emoções vindas da couraça, saem para o meio impotentes, contraditórias. Estão muito em função das memórias de nossas dores e da imaginação sustentada pelo medo de que possamos sentir essas dores novamente. Já as emoções que não são bloqueadas e convertidas em reatividade pelas couraça, são diretas, têm genuína espontaneidade.

A terapia não impede que sintamos afetos negativos. Mas ela permite que uma vez que notamos que estamos querendo reagir de forma encouraçada, nos controlemos, sem nos reprimir. Pois já sabemos, com a auto-observação de nós mesmos (feito na clínica e fora da clínica) o estrago que iríamos causar se agíssemos de uma maneira reativa com o outro.
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Uma chave importantíssima na terapia é, uma vez sentida uma emoção, não tentar fugir dela. Ficar com ela. Sentir, ficar com o que se sente realmente. Então, esse sentir começa a fazer sentido para seus pensamentos, ao mesmo tempo que encontra novos modos de expressão. O que antes estava insensível, torna-se sensível. O que antes podia ser um monstro assustador, rejeitado, torna-se algo conhecido. O que era repelido, aos poucos vai sendo integrado em nossa vida.

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​Há todo um processo, uma jornada do paciente, rumo à autodescoberta e desbloqueio emocional. Camadas da realidade, antes imperceptíveis, vão se abrindo. Há um trânsito, durante a terapia, em que o terapeuta passa dos acolhimentos iniciais, das dores do paciente, até a análise do caráter. É neste ponto que em algum momento o próprio paciente se torna observador de si.

O trabalho feito dentro da análise do caráter é gradual, no ritmo que é possível para cada organismo em determinado momento. A pessoa procura terapia em função de suas dores não-curadas, de abusos, sofrimentos, sintomas, ansiedades. Tantos sofrimentos causados pelo modo de vida patriarcal, reproduzido na família, igreja, escola e outras instituições... É com o uso da sensibilidade que o terapeuta vai introduzindo a capacidade do paciente confrontar-se para poder observar e se responsabilizar por traços que antes desconhecia em si mesmo, ao mesmo tempo que vai auxiliando na cura de traumas e dores antigos e presentes em sua vida.

A responsabilidade advém de clareza de consciência, obtida com integração entre sentimentos, sensações e pensamentos. Sei porque ajo, sei o que estou fazendo. Descubro que posso agir de formas mais livres e satisfatórias com as pessoas. Me aventuro aqui e ali, gradualmente saindo da limitação de repertórios de movimentos vitais e sociais em que me enredava por conta dos modos rígidos do caráter. Rigidez que tem uma função: a de sobreviver. Mas quantas vezes a defesa não se torna ataque destrutivo? Observo o discurso fascista e ele justifica seus ataques virulentos com defesa de ideias o tempo inteiro: da família “tradicional”, da pátria, etc. Ideias que são colocadas acima daquilo que sentimos. Mais interessante seria que não existissem ideias e modelos à priori que devam estar acima da nossa percepção daquilo nos faz bem, e daquilo com que não nos sentimos bem.
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Descobrir nossos modos de funcionamento automáticos, nossas reações, e como elas nos afetam e afetam aos outros, eis uma das chaves da terapia! Sentir, perceber quando os bloqueios atravessam os relacionamentos. Como e quando o mecanismo de defesa, complexo e inteligente que é a couraça, se arma e atua. Isso é política, enquanto observação e prática da vida relacional da pessoa.
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Autor: Rafael Benini - Aluno em Formação em Vegetoterapia Caráctero-Analítica na EFEN
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